Último artigo, no Diário do Minho, de Manuel Monteiro Imprimir e-mail
O MINHO
 
Conheço, desde os meus quinze ou dezasseis anos, o Daniel Campelo. O Eng. Daniel Campelo, que agora anunciou não se querer recandidatar à Câmara de Ponte Lima. Fomos grandes companheiros, travámos, lado a lado, muitas lutas políticas e crescemos tendo no Minho algo que nos juntava e aproximava.
Ele um minhoto desde o berço, eu um minhoto desde os três anos de idade, com Mãe Minhota, Avó Minhota e Avô Minhoto.Ele constantemente falando de Ponte de Lima, e do Freixo sua aldeia natal, eu considerando Vieira do Minho e a aldeia de Anissó, como o centro de todas as virtudes, e belezas, desconhecidas pelos nossos amigos de Lisboa. Um do distrito de Viana do Castelo, outro do distrito de Braga, mas ambos com orgulho no Minho. A vida, e principalmente os posicionamentos políticos, contribuíram para que de algum modo nos afastássemos e se é certo que mantemos um trato cordial e franco, reconheço – talvez por culpa minha – que longe vão os tempos de outrora. Este facto permite – me no entanto, escrever com muito mais à vontade, e total isenção, sobre Daniel Campelo. Não há dependências, não há favores a pagar, ou a receber, e assim sendo tudo é mais franco e natural.
 
Daniel Campelo foi, para mim, um dos melhores autarcas do Minho e até do País. Foi um autarca de causas e considerou sempre que a defesa do seu Concelho, das suas gentes, do seu distrito e da sua região, estavam para lá de quaisquer outras prioridades ou interesses. Provou – o no Parlamento, quando se bateu pelas preocupações de Ponte de Lima e firme se manteve em sua defesa. Podemos concordar, ou discordar, dos seus gestos, das suas atitudes, dos seus votos, mas temos todos de lhe reconhecer o facto de ter demonstrado que há deputados que não viram as costas aos seus eleitores e que não traem as suas legítimas expectativas. Em Lisboa, na Assembleia da República, foi igual a si próprio e indiferente a pressões, a punições e a modas, nunca negou as suas origens, nem esqueceu quem o tinha eleito. Ponte de Lima em particular, e o Minho em geral, devem – lhe muito. Na Câmara Municipal foi ousado, rigoroso e firme. Teve a ousadia de querer que Ponte de Lima se mantivesse como Vila, indiferente ao snobismo imbecil dos que a queriam transformar em mais uma das muitas cidades já existentes; Foi rigoroso na gestão e hoje Ponte de Lima pode orgulhar – se de ser talvez a única autarquia com saúde financeira estável e boa. Não esbanjou, não gastou onde não deveria gastar, poupou e foi criterioso nos investimentos sabendo que o futuro não pode ser negado pelo presente. E foi firme na promoção pública do seu Concelho, na divulgação das suas imensas qualidades, na atracção de milhares e milhares de turistas, que com a sua entrada trazem riqueza e dão orgulho a quem os recebe.
 
Daniel Campelo poderia hoje recandidatar – se a novo mandato. A lei permitia – o e os seus eleitores dar – lhe – iam todo o apoio. A sua vitória seria inquestionável. Mas Campelo provou ter a coragem, que falta a tantos presidentes de câmara, demonstrando o seu desapego pelo poder e provando com esta atitude a sua diferença. É certo que o faz por ser um homem livre, por não estar preso a clientelas alimentadas ao longo dos anos, por não ter a sua vida económica dependente de negócios com a autarquia. E isto, nos tempos que correm, tem de ser evidenciado. Numa época em que só falamos do que está mal, da desgraça, dos corruptos, dos políticos vendidos, é legitimo que testemunhemos o apreço por aqueles que são diferentes. O Minho precisa de pessoas assim. O Minho tem de ser uma prioridade política, uma Causa, uma ambição, um sonho concretizável. O Minho tem todas as condições para ser uma das regiões mais ricas, mais prósperas, mais desenvolvidas não só de Portugal, como da própria Península Ibérica. Tem alma, tem história, tem garra, tem brio, tem coragem, tem pessoas com espírito de iniciativa e tem a sabedoria para manter a ligação entre as tradições e a inovação, entre o passado e o amanhã. O Minho precisa de Danieis Campelos, mesmo que não estejamos em tudo de acordo. E a razão é simples, muito simples até: não há maior patriotismo, do que a defesa sólida dos municípios, dos distritos, das regiões. Portugal nasceu aqui e mal andam os filhos, quando desprezam os seus Pais. Como pretender então que se recupere a Nação, quando constantemente se viram as costas às aldeias, às vilas e aos concelhos, que estão longe da capital política. Há quem diga, e o Eng. Daniel Campelo é um deles, que só com a regionalização podemos inverter o rumo e há quem considere que a solução passa por outras opções. Eu já tive mais certezas, na posição que sempre defendi, e quem sabe se o Eng. Campelo, nesta sua nova cruzada, não me poderá convencer a alinhar na sua luta futura. Até lá, mais municipalistas ou mais regionalistas, caminhemos juntos pelo Minho.
 
O PARLAMENTO
 
Eu acredito num Parlamento de homens íntegros, preocupado com o bem – comum, empenhado em fazer leis justas. Eu acredito num Parlamento, em que os deputados se unem na defesa da Causa pública e se esforçam por honrar a actividade política. Eu acredito num Parlamento, que é a um tempo símbolo da diversidade e do respeito pelas ideias contrárias. Eu acredito num Parlamento, que prescinde do acessório, que promove o essencial e que é um espelho da honra, do humanismo, da solidariedade e do mérito. Eu acredito num Parlamento, que testemunha a liberdade e que a defende em nome da justiça. Eu acredito num Parlamento apostado em combater a pobreza, o sofrimento, a desonestidade e a corrupção. Eu acredito num Parlamento, em que os cidadãos tenham orgulho e se sintam representados. Eu acredito num Parlamento, que seja a Sede de um Povo livre, consciente, responsável e informado. Eu acredito num Parlamento, em que os deputados sirvam sem se servir e em que as ideias se discutem sem se ofenderem. Eu acredito num Parlamento, em que as comunidades, e os homens que as constituem, são o princípio, o meio e o fim, da sua razão de ser.
 
Um Parlamento assim pode ter pessoas da direita ou da esquerda, alinhados ou desalinhados, militantes partidários ou independentes, mas é um Parlamento de gente de bem. Um Parlamento assim é um exemplo de cidadania, de prestígio, de comportamento ético. Um Parlamento assim é um Parlamento de honra e com honra! E é por um Parlamento com estas características que vale a pena lutar, que vale a pena ser deputado, que vale a pena defender ideias, que vale a pena querer representar os eleitores. Será isto uma utopia? Para alguns talvez, mas para mim não. Eu acredito, sou dos que acreditam, que a democracia pode melhorar e por isso, e para isso, digo a partir de Braga que estou Presente.
 
LEGISLATIVAS A 27 DE SETEMBRO
 
Como os leitores sabem sou candidato a deputado, pelo distrito de Braga. O meu símbolo é o Coração minhoto e a acção que desenvolverei nos próximos tempos será dedicada à conquista de apoios, de votos, de adesões. É o momento pois de parar com as crónicas quinzenais, que aqui assino. A isenção editorial deste prestigiado Diário, não poderá em momento algum ser posta em causa pela minha presença, enquanto articulista, no período de pré – campanha e de campanha eleitoral. Essa é a regra do jornal e essa é a regra correcta, que aqui registo. Há, no entanto, um testemunho que gostaria de deixar. Um testemunho simples, mas sincero. Fui durante vários anos colunista do Expresso, do Diário de Notícias, da TSF e comentador da SIC – Notícias. Em todos esses órgãos de informação pude sempre escrever, e dizer, o que bem entendi. Contudo, apesar de estar a falar – vos de órgãos de dimensão nacional, um dos quais uma rádio e outro uma televisão, nunca senti uma proximidade tão grande com os leitores, como aquela que presenciei no Diário do Minho. E isso jamais esquecerei. Como não esquecerei a atitude de grande profissionalismo das pessoas que pude conhecer no Diário do Minho e, em particular, do seu Director, a quem cumprimento agradecendo a honra que me concedeu convidando – me para aqui escrever, ao longo de quase três anos. Espero que os meus textos não os tenham, em momento algum, deixado ficar mal.
 
Manuel Monteiro
 
Braga, 8 de Julho de 2009
 
 
 
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